Meu perfil BRASIL, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Música, Informática e Internet, Literatura e Cinema...http://meadiciona.com/clovisaraujo
Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.
Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados às vezes por ver que a terra não muda, mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me e abre-me todas as portas da vida.
Meu amor, nos momentos mais escuros solta o teu riso e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua, ri, porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono, teu riso deve erguer sua cascata de espuma, e na primavera , amor, quero teu riso como a flor que esperava, a flor azul, a rosa da minha pátria sonora.
Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha, ri-te deste grosseiro rapaz que te ama, mas quando abro os olhos e os fecho, quando meus passos vão, quando voltam meus passos, nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria.
Uma Foto,um Poema e um Blues para uma nova amiga...
A MULHER SENSUAL.
Não precisa ser bonita, Tem que saber se cuidar, Saber se valorizar. Inteligência para amar. Sábia para conquistar.
A mulher sensual. Não precisa usar roupas caras. Tem que ter bom gosto Saber se vestir para atrair.
Não precisa se oferecer, Seu jeitinho feminino Sabe o que fazer, Sem vulgar ser, Para chamar a atenção Do homem que mexe Com seus sentimentos.
A mulher sensual. Tem um sorriso contagiante. Um olhar penetrante. Atitudes insinuantes. Que leva ao delírio O seu amado, seu amante!
A mulher sensual, Não pode dispensar. Seu lado menina que fascina. Muito menos, Dispensar seu lado mulher. Que provoca sabe o que quer. Sabe em doses certas Ser uma bela amante, Uma bela mulher!
Não me provoque, tenho armas escondidas... Não me manipule, nasci pra ser livre... Não me engane, posso não resistir... Não grite, tenho péssimo hábito de revidar... Não me magoe, meu coração já tem muitas mágoas... Não me deixe ir, posso não mais voltar... Não me deixe só, tenho medo da escuridão... Não tente me contrariar, tenho palavras que machucam... Não me decepcione, nem sempre consigo perdoar... Não espere me perder, para sentir minha falta..."
Meu amigo irmão Alceu esta criando um Blog ...http://alceu1001discos.blogspot.com/acompanhem essa fera conheçe tudo e mais um pouco de musica...Rock,Progressivo,Blues e Jazz,sem contar q sobre Literatura não sabe nada,pra ele vou postar um Jeff Healey e um poema sobre a "Amizade" do saudoso Vinicius...
Soneto do amigo
Enfim, depois de tanto erro passado Tantas retaliações, tanto perigo Eis que ressurge noutro o velho amigo Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado Com olhos que contêm o olhar antigo Sempre comigo um pouco atribulado E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano Sabendo se mover e comover E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica Que só se vai ao ver outro nascer E o espelho de minha alma multiplica...
Há no seu olhar Algo que me ilude Como o cintilar Da bola de gude Parece conter As nuvens do céu As ondas brancas do mar Astro em miniatura Micro-estrutura estelar Há no seu olhar Algo surpreendente Como o viajar Da estrela cadente Sempre faz tremer Sempre faz pensar Nos abismos da ilusão Quando, como e onde Vai parar meu coração? Há no seu olhar Algo de saudade De um tempo ou lugar Na eternidade Eu quisera ter Tantos anos-luz Quantos fosse precisar Pra cruzar o túnel Do tempo do seu olhar
Deve haver algum lugar um confuso casarão onde os sonhos serão reais e a vida não. Por ali reinaria meu bem com seus risos,seus ais,sua tez E uma cama onde à noite sonhasse comigo talvez
Um lugar deve existir Uma espécie de bazar onde os sonhos extraviados vão parar entre escadas que fogem dos pés e relógios que rodam para trás.
Se eu pudesse encontrar meu amor não voltava jamais
Oi, hoje e 1º de Maio, um mês especial para mim, mês que minha Mãe chegou e também se foi, mês de NS de Fátima, do dia das Mães, por isso tão importante para mim, vou colocar dois vídeos fantásticos um de Elis e outro de Almir Sater, e um poema que achei aqui na net, muito bonito de José Afonso...
Obs.; Maio: acredita-se que se origine de Maia, deusa do crescimento das plantas e mãe de Mercúrio
Poema de Maio (pela pura beleza das palavras, sem mais)
Maio maduro Maio Quem te pintou Quem te quebrou o encanto Nunca te amou Raiava o Sol já no Sul E uma falua vinha Lá de Istambul
Sempre depois da sesta Chamando as flores Era o dia da festa Maio de amores Era o dia de cantar E uma falua andava Ao longe a varar
Maio com meu amigo Quem dera já Sempre depois do trigo Se cantará Qu'importa a fúria do mar Que a voz não te esmoreça Vamos lutar
Numa rua comprida El-rei pastor Vende o soro da vida Que mata a dor Venham ver, Maio nasceu Que a voz não te esmoreça A turba rompeu
"Se é pra sofrer, que seja sozinho... Se é pra sofrer, que o corpo possa verter, vergar, amolecer. Se é pra sofrer, que possa ser descabelado, que possa ser de pés descalços, que possa ser em silêncio."
Não vou falar muito sobre essa amiga,quando comecei a navegar pela net,foi uma das primeiras pessoas q conheci, essa amiga virtual e depois graças a Deus "Real”, usava um nick q me chamou a atenção,"Janis",poxa,15 minutos depois,falávamos sobre Hendrix,Clube da Esquina,Caetano,Novos Baianos e Beatles "Ah look at all the lonely people",dai em diante se falávamos quase todo dia,sobre a vida,poesia,amores Etc,é já se fazem uns 6 anos eu acho...Eis um Poema dessa Princesa,e um som,"Novos Baianos"!!!
Rótulo
O que importa o rótulo?
Sinceramente o rótulo não importa
Sei que o conteúdo é sempre igual
Os sabores não se diversificam
Todos são iguais, sim, são iguais
E toda vez que me embriaguei deste veneno
Acordeiem uma cama que mudava de dimensão, cheiro e maciez
Mas toda sombra, na penumbra destes quartos eram iguais
Não simetricamente, mas eram sombras
Que depois sempre se vestiam, perfumavam e saiam noite adentro.
Carta escrita por Herbert de Souza (O Betinho) para sua mulher Maria; e lida um ano após sua morte, pelo ator Jonas Bloch, durante a cerimônia na CCBB:
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Este texto é para Maria ler depois da minha morte que, segundo meus cálculos, não deve demorar muito.
É uma declaração de amor.
Não tenho pressa em morrer, assim como não tenho pressa em terminar esta carta. Vou voltar a ela quantas vezes puder e trabalhar com carinho e cuidado cada palavra. Uma carta para Maria tem que ter todos os cuidados. Não quero uma carta triste, quero fazer dela também um pedaço de vida pela via de lembrança que é a nossa eternidade.
Nos conhecemos nas reuniões de AP (Ação Popular), em 1970, em pleno Maoísmo. Havia uma clima de sectarismo e medo nada propício para o amor. Antes de me aventurar andei fazendo umas sondagens e os sinais eram animadores, apesar de misteriosos.
Mas tínhamos que começar o namoro de alguma forma. Foi no ônibus da Vila das Belezas, em São Paulo. Saímos em direção ao fim da linha como quem busca um começo. E aí veio o primeiro beijo, sem jeito, espremido, mas gostoso, um beijo público. A barreira da distância estava rompida para dar começo a uma relação que já completou 26 anos!
O Maoísmo estava na China, nosso amor na São João. Era muito mais forte que qualquer ideologia. Era a vida em nós, tão sacrificada na clandestinidade sem sentido e sem futuro.
Fomos viver em um quarto e cozinha, minúsculos, nos fundos de uma casa pobre, perto da Igreja da Penha. No lugar cabia nossa cama, uma mesinha, coisas de cozinha e nada mais.
Mas como fizemos amor naquele tempo! Foi incrível e seguramente nunca tivemos tanto prazer.
Tempos de chumbo, de medo, de susto e insegurança. Medo de dia, amor de noite. Assim vivemos por quase um ano. Até que tudo começou a "cair". Prisões, torturas, polícia por toda a parte, o inferno na nossa frente. Fomos para o Chile. E ali, chamado por Garcez para elaborar textos, acabei no agrado de Allende, que os usou em seus discursos oficiais.
Foi a primeira vez que eu vi amor virar discurso político... Depois passamos por muita coisa até voltar. Até que a anistia chegou e nos surpreendeu. E agora, o que fazer com o Brasil? Foi um turbilhão de emoções: o sonho virou realidade! Era verdade, o Brasil era nosso de novo.
A primeira coisa foi comer tudo que não havíamos comido no exílio: angu! com galinha ao molho pardo, quiabo com carne moída, chuchu com maxixe, abóbora, cozido, feijoada. Um festival de saudades culinárias, um reencontro com o Brasil pela boca.
Uma das maiores emoções da minha vida foi ver o Henrique surgindo de dentro de você. Emoção sem fim e sem limite que me fez reencontrar a infância.
Depois do exílio, nossas vidas pareciam bem normais. Trabalhávamos; viajávamos nas férias, visitávamos os amigos, o Ibase funcionava, até a hemofilia parecia e havia dado uma trégua. Henrique crescia, Daniel aos poucos se reaproximava de mim, já como filho e amigo.
Mas como uma tragédia que vem às cegas e entra pelas nossas vidas, estávamos diante do que nunca esperei. A Aids. Em 1985, surge a notícia da epidemia que atingia homossexuais, drogados e hemofílicos. O pânico foi geral. Eu, é claro, havia entrado nessa.
Não bastava ter nascido mineiro, católico, hemofílico, maoísta e meio deficiente físico. Era necessário entrar na onda mundial, na praga do século, mortal, definitiva, sem cura, sem futuro e fatal. E foi aí que você, mais do que nunca, revelou que é capaz de superar a tragédia, sofrendo, mas enfrentando tudo e com um grande carinho e cuidado.
A Aids selou um amor mais forte e mais definitivo porque desafia tudo, o medo, a tentação do desespero, o desânimo diante do futuro. Continuar tudo apesar de tudo, o beijo, o carinho e a sensualidade.
Assumi publicamente minha condição de soropositivo e você me acompanhou. Nunca pôs um "senão" ou um comentário sobre cuidados necessários. Deu a mão e seguiu junto como se fosse metade de mim, inseparável. E foi.
Desde os tempos do cólera, da não esperança, da morte do Henfil e Chico, passando pelas crises que beiravam a morte até o coquetel que reabria as esperanças. Tempo curto para descrever, mas uma eternidade para se viver.
Um dos maiores problemas da Aids é o sexo. Ter relações com todos os cuidados ou não ter? Todos os cuidados são suficientes ou não se deve correr riscos com a pessoa amada? Passamos por todas as fases, desde o sexo com uma ou duas camisinhas até sexo nenhum, só carinho. Preferi a segurança total ao mínimo risco.
Parei, paramos e sem dramas, com carências, mas sem dramas, como se fosse normal viver contrariando tudo que aprendemos como homem e mulher, vivendo a sensualidade da música, da boa comida, da literatura, da invenção, dos pequenos prazeres e da paz.
Viver é muito mais que fazer sexo. Mas para se viver isso, é necessário que Maria também sinta assim e seja capaz dessa metamorfose como foi.
Para se falar de uma pessoa com total liberdade é necessário que uma esteja morta e eu sei que este será o meu caso. Irei ao meu enterro sem grandes penas e principalmente sem trabalho, carregado. Não tenho curiosidade para saber quando, mas sei que não demora muito.
Quero morrer em paz, na cama, sem dor, com Maria do meu lado e sem muitos amigos, porque a morte não é ocasião para se chorar, mas para celebrar um fim, uma história. Tenho muita pena das pessoas que morrem sozinhas ou mal acompanhadas, é morrer muitas vezes em uma só.
Morrer sem o outro é partir sozinho.
O olhar do outro é que te faz viver e descansar em paz.
O ideal é que pudesse morrer na minha cama e sem dor, tomando um saquê gelado, um bom vinho português ou uma cerveja gelada.